O transporte contra o coronavírus

Ação Nobre

Os aeroportos, que, desde janeiro, veiculavam alertas sobre a covid-19 no sistema de som, foram os primeiros a se acostumar com o uso rotineiro de máscaras e luvas. Também sentiram, de forma aguda, o decréscimo no número de passageiros, o que levou as aéreas a bater na porta do governo. Por meio de medida provisória e decreto, tiveram parte dos seus anseios atendida, como a postergação do recolhimento das tarifas de navegação aérea.

“As empresas aéreas estão fazendo um esforço conjunto para manter o país conectado e não deixar nenhum estado brasileiro sem atendimento. As companhias vão continuar queimando dezenas de milhões de reais de caixa, pois, mesmo com a redução da malha, a ocupação das aeronaves continuará baixa”, afirmou o presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Eduardo Sanovicz.

Ele se referia à decisão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), divulgada em 27 de março, de reduzir a malha aérea ao essencial para que o país possa continuar conectado durante a pandemia do novo coronavírus. Ficou convencionado que serão 1.241 voos semanais para as capitais dos 26 estados mais o Distrito Federal, além de outras 19 cidades até o fim de abril. Essa operação é 91,6% inferior à malha aérea normalmente operada pelas empresas nacionais no mesmo período de 2019, quando havia 14.781 frequências por semana. Em relação à quantidade de localidades atendidas, a queda é de 56.

Em meio a tantas notícias difíceis, é importante salientar que o transporte aéreo continua cumprindo missões nobres. Em 25 de março, por exemplo, a Azul realizou o transporte de três toneladas de equipamentos médicos para a criação de hospital itinerante que ajudará no combate à covid-19. A empresa informou que colocou à disposição, gratuitamente, o maior avião da sua frota (um Airbus A330), que decolou de Manaus (AM) com destino ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). O material pertence à ONG EBS (Expedicionários da Saúde). À medida em que a situação da covid-19 continua evoluindo, a nossa prioridade continua sendo a saúde e a segurança. Gostaria de expressar minha profunda gratidão aos nossos tripulantes por seus esforços extraordinários em apoiar a Azul e o papel que desempenhamos na aviação brasileira”, diz John Rodgerson, CEO da Azul.

Em 30 de março, foi a vez de o Aeroporto Internacional de Guarulhos receber 500 mil kits do teste para diagnóstico da doença. O maior complexo aeroportuário da América do Sul foi a porta de entrada no país para esse material, fundamental para o combate à epidemia. Vindos da China, os kits chegaram em um voo da Emirates que aterrissou no terminal de cargas. Esse é um exemplo da importância da infraestrutura portuária para viabilizar o trânsito não só de agentes de saúde mas também de suprimentos fármacos e médico-hospitalares.

Por: Diego Gomes
Fonte: Revista CNT Transporte Atual Março 2020 “Unidos pelo país”